7o dia: Balsa – Altamira

Balsa é um pequeno vilarejo que vive dos minutos, ou quiçá horas, que os motoristas tardam para pegar a balsa do rio Xingu a caminho de Altamira ou Anapu. O rio Xingu espelha a realidade das duas margens ocupadas pelo vilarejo:  casas de madeira, vendinhas, lanchonetes/ bares/ restaurantes, ruas de terra com erosões, esgoto a céu aberto, lixo espalhado pelas ruelas.

Em uma destas casas, que serve de pousada, pernoitamos não por opção, mas por necessidade já que Altamira estava a uma distância impraticável para nossas pernas: mais 65 kms, ou cinco horas de pedal.  A pousada tinha a pior estrutura comparada às outras pousadas desta etapa Marabá - Altamira: cheiro de esgoto no quarto, baratas, quartos com divisões de madeira e sem forro, ou seja compartilhando todos os “acontecimentos” de nossos vizinhos, mesmo custando r$ 100 para três pessoas.

Neste dia acordamos, armamos as bicicletas, uma atividade de uma hora para: separar as coisas que precisam estar a mão (protetor solar, ferramenta, comida durante a pedalada, câmara fotográfica, dinheiro), separar roupas secas das molhadas,  acomodar todas as coisas nos alforjes, prendê-los na bicicleta, passar óleo na corrente. Tudo precisa ser feito na ordem correta para não gerar re trabalho. Descemos para a balsa que opera 24 horas e cruza o caudaloso Rio Xingu que, tem neste local menos de 300 metros entre as margens e por isso a profundidade ali é de 180 metros.

Os primeiros 2 kms foram de muitas subidas, depois começa um intenso movimento de caminhões, tratores, máquinas e paisagens visivelmente alteradas por obra humana: crateras gigantescas, devastação da cobertura vegetal, montes artificiais de terra, estávamos chegando no canteiro de obra de Belo Monte.

O choque de sair do vilarejo sem nenhuma estrutura e passar pela obra de mais de 30 bilhões de reais mostra que no Brasil não há falta de dinheiro para investimentos, é só uma questão de prioridade. Enquanto pessoas morrem por conta de falta de obras de infraestrutura básica de saneamento básico ou acesso ao sistema de saúde, temos a menos de 10 kms uma obra faraônica sendo tocada a toque de caixa. Pior, com a construção da hidrelétrica, a Transamazônica passará por cima da barragem e o vilarejo deixará de existir, sendo que nenhuma compensação está sendo planejada para os habitantes do vilarejo.
Depois de 12 kms de terra, o asfalto veio novamente nos receber. Ainda tivemos muitas subidas e descidas no percurso até Altamira e o sol nos castigava, o relógio marcava perto das 11h30. Também nos trechos asfaltados há menos lanchonetes e restaurantes e nossas caramanholas (garrafas de água) secaram rapidamente, o consumo de água nestas condições chega a um litro por hora.

Paramos para almoçar a 18 kms do destino final e aproveitamos para descansar e esperar até o sol baixar e termos condições melhores de pedal. Neste último trecho parecia que cada kilômetro tinha mais de mil metros, a ansiedade para chegar e poder descansar era grande.

Enfim, depois de mais 500 kms avistamos Altamira, placas de outdoor (sempre as que  anunciam hotéis e óticas são as primeiras a aparecerem) anunciavam que estávamos na área urbana. É claro que paramos para tomar uma cerveja e comemorar, compartilhar o feito com nossos entes queridos que acompanhavam e rezavam por nós, e bater a tradicional foto da chegada.

Pousada no Vilarejo de Balsas - a rede era a melhor opção

Pousada no Vilarejo de Balsas – a rede era a melhor opção

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Saída da balsa rumo a Altamira

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Informação na margem da Transamazônica – canteiro de obra Belo Monte

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canteiro de obra de Belo Monte

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Magno Botelho – canteiro de obra de Belo Monte

 

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Chegamos em Altamira. 1a etapa concluida

One Response to “7o dia: Balsa – Altamira”

  1. Amedar Consulting 25/01/2013 at 06:48 #

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